Que triste e inevitável metáfora, o mar de lama.

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Diante de nossos olhos, os efeitos da exploração desmedida, da corrupção, do esgotamento de nossos recursos naturais, físicos, mentais, e emocionais  transbordam, impiedosamente, levando consigo qualquer resquício de dignidade.

Somos soterrados por nossa própria ignorância a respeito da responsabilidade pelas catástrofes que nos cercam.

Somos invadidos pelos resíduos podres de anos de omissão e idolatria cega pelo que chamamos de desenvolvimento econômico.

Nada escapa a este refluxo da mais fétida verdade, que derruba de golpe nossos totens sagrados da omissão e da expropriação consentida. Não seria o caso de dizer que inocentes estão pagando por isso. Todos estamos sendo prejudicados por decisões que tomamos coletivamente, escolhas insensatas e gananciosas para as quais fechamos os olhos em progressão geométrica.

Tenho sido questionada sobre o aparente despropósito de, diante de tanta desgraça, pedir recursos financeiros para fazer um curso que visa o fortalecimento espiritual. É porque acredito que é chegado o tempo em que esta dimensão, que na verdade é a que mais deveríamos estar cultivando, pode ser reconhecida como uma competência essencial para sairmos deste atoleiro de opressão e hedonismo em que nos metemos.Pode parecer contundente e agressivo dizer que não adianta chorar pela lama derramada, mas para mim, nada é mais importante do que resgatarmos a conexão com a força daquilo que nos une: o espírito humano. Somente a compreensão de que estamos separados por falsas barreiras geo-políticas, raciais, religiosas, econômicas, de gênero, pode determinar escolhas mais sadias e sustentáveis, e não é no futuro, é hoje, é já!

Quando as pessoas entenderão que a força do espírito é que evita as confusões causadas por nosso apego à matéria?

Quanta desolação ainda escolheremos presenciar, indignados, antes de mudar nossos hábitos de consumo, material, intelectual, espiritual e político?

Como o espírito humano pode prevalecer, a despeito do esgoto em que se encontram nossas palavras, pensamentos e não-ações?

Quanto tempo mais deixaremos nossa essência sagrada à margem da vida?

Essa lama que invade casas, ruas, bairros, ela escapa é de nossas consciências.

 

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