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De todos os aprendizados, o mais impressionante que desejo compartilhar neste momento é a constatação da força do impulso coletivo. Interessante que o curso Guerreiros pelo Espírito Humano, de certa forma, reforça um caminho que eu já traçava individualmente e também expressava como premissa em meu trabalho sobre a Arte de Anfitriar a Si Mesmo, que trata, fundamentalmente, de recuperar a apreciação pelo aspecto sagrado de cada um de nós.

Entretanto, como o campo coletivo reage à força do sagrado que emana do indivíduo?
Foi preciso muita clareza e investimento de energia para fazer, sustentar e receber as respostas a este chamado. Propor um financiamento coletivo de finalidade poderosa porém sutil, em tempos de energia densa…passamos por tudo neste período: catástrofes climáticas, catástrofes humanas, milhões indo às ruas, impeachment, estupro coletivo…toda força da dualidade, da oposição, da energia bélica se manifestou durante essas primeiras duas fases, enquanto eu pedia ajuda para fazer um curso sobre o Espírito Humano! Que sala de aula foi essa?!

Contudo, estamos aqui. A minha rede mais próxima sim, escutou e reconheceu este chamado. E cada indivíduo também precisou de clareza para entender o que eu desejava comunicar, um entendimento que só podia vir do coração, porque eu certamente escorregava nas palavras. As pessoas que ofereceram e as que receberam recompensas também precisaram se conectar pelo coração. Muitas delas não se conheciam. E as que contribuiram sem optar por recompensas também se voltaram para o sagrado dentro de si mesmas, contempladas pelo puro contentamento em ser generosas e solidárias. E assim, neste oásis de Espírito Humano, vencemos mais uma etapa; eu tenho o dinheiro suficiente para comprar as passagens de Junho e Novembro, pagar a primeira parcela do curso e a primeira parcela da hospedagem/alimentação!

Deixei-me atravessar por duas situações, nas últimas semanas.
A primeira foi a preocupação de um de meus melhores amigos, que atualmente mora nos EUA. Ele me alertou para a possibilidade de eu ter perdido meu senso crítico(!) e estar entrando para uma seita (!). Olhando em retrospectiva, foi muito bom receber esses dois alertas. Não se pode proclamar clareza sem estarmos reconciliados com nossa falibilidade. Antes de me inscrever eu pesquisei bastante sobre a Margaret Wheatley, cuja carreira sólida me sugere que não seja este tipo de líder, e também sobre a Schumacher College, que não creio que abrigaria este tipo de “curso”. Mas reconhecendo que, como humanos, às vezes nos deixamos enganar, eu prometi ao meu amigo, como prometo a todos que, caso eu perceba qualquer indício de ser este o caso, imediatamente farei saber a toda comunidade que se trata de uma fraude, deixarei o projeto e devolverei o dinheiro para cada um que contribuiu. Só não poderei devolver o afeto, as curas e os vínculos criados e aprofundados entre as pessoas que usufruiram do sistema de recompensas! Gostaria de dar transparência ao fato de que a plataforma Eco do Bem gera e disponibiliza para mim uma planilha contendo todas as contribuições – para que eu possa articular os contatos entre apoiadores e recompensas. A única exceção será para aqueles que optaram por manter sua contribuição totalmente anônima.

A segunda foram os entraves tecnológicos, muitas pessoas desejando contribuir na plataforma receberam uma mensagem de “erro”, acusando alguma inconsistência no cadastro ou no cartão de crédito. Realmente, a burocracia e a tecnologia podem ser ferramentas que dão estrutura às nossas ações, mas às vezes não trazem agilidade. E foi muito interessante ver como estes contratempos interferem na energia de quem tenta doar e não consegue. Houve quem, com muita paciência, refez os passos e conseguiu apoiar pela plataforma, e houve quem optou por depositar em conta corrente, mas certamente quebrou, de certa forma, o fluxo da abundância, porque também houve quem desistiu, e precisamos lidar com isso: a pessoa que tentou e não conseguiu ajudar e eu que não pude receber este impulso na forma de dinheiro. Nunca consegui dizer para quem desistiu que eu reconhecia e agradecia, e que recebia o desejo de ajuda com a mesma firmeza de crença de que este desejo também contribui, tanto quanto o dinheiro.

A princípio, observei como a energia de quem tentava apoiar mudou, e aos poucos observei como a energia em mim também, mudou. Depois de vários email de pessoas queridas que com razão estavam irritadas por não conseguir doar na plataforma, a 3 dias do final eu não tinha mais forças para ficar reforçando o convite, não porque me cansei de fazê-lo, mas porque a perspectiva de frustrar alguém que tivesse vencido sabe lá quais barreiras para contribuir me causava mal estar e paralisia. Foi preciso lançar mão de um recurso extremamente eficaz, no meu caso, que sempre uso para anfitriar a mim mesma, e recomendo muitíssimo: bom humor!

girafa

Desde o começo, optei por fazer uma campanha flexível porque não ressoa em mim fazer um chamado  do tipo “tudo ou nada”, para que as pessoas se conectem com a escassez, sentindo-se pressionadas , reduzindo a dinâmica de dar / receber,  que pode ser naturalmente linda, mágica e espontânea a um jogo onde você pode ganhar ou perder tudo a qualquer momento.

Contudo, Chronos e Kairós dançando à minha frente, o tempo da campanha e o tempo das pessoas fluindo em direções contrárias…eu não queria estimular este padrão “temos que bater a meta” e simultaneamente precisava me comprometer com o espaço/tempo que eu mesma estipulei. Assim, nos dias seguintes, evoquei imagens de infância, metáforas irreverentes, ternas, algo que pudesse me reconectar com a pureza de minha intenção. E funcionou lindamente; as “girafas” esticaram seu pescoço ao máximo, e com vocês eu consegui algo que não conseguiria sozinha. Juntos estamos, saboreando mais essa vitória sobre nossas frustrações, decepções, constrangimentos, em virtude de um Propósito maior. Este Propósito não nomeado, que nos ajuda a evoluir como espécie planetária e cósmica, a plasmar o sonho coletivo pelo qual todos somos co-responsáveis, e nos conecta com o sagrado de nossa Humanidade!

GRATIDÃO, SEMPRE!


PS: Save the date para dia 21 de Junho, quando compartilharei estes e outros aprendizados na primeira Roda de Conversa após meu retorno da primeira aula presencial.

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