Don´t wait for applauses.

Nesta semana, testemunhamos o quanto a opinião pública pode influenciar a manifestação da essência de uma pessoa. Histórias de campeões olímpicos, os melhores em sua categoria em nível mundial, sucumbindo à mais profunda depressão após comentários depreciativos postados em sua rede social, ou emergindo em glória e luz de acordo com o número de curtidas no facebook  e seguidores no twitter.

Que situação, hein? Um indivíduo dedica sua vida à superação física, emocional, social e econômica para expressar sua essência através do esporte, e de repente não tem mais nada a ver com sua performance, seu mérito, seu comprometimento. Tudo depende de um polegar e um passarinho azul.

Então vamos lá: não espere por aplausos, literais ou metafóricos . Neste texto, vamos  concentrar-nos no aplauso metafórico, o bom e velho “Excelente” que todos queríamos ver escrito embaixo da nota 10, na prova e nos persegue até hoje quando, nervosos, nos vemos diante da Avaliação de Desempenho na empresa. Este slogan é um convite a estarmos sempre atentos ao “porquê” de nossas ações e contribuições no mundo.  Desde a tarefa mais prosaica até a mais exímia execução, todo movimento, palavra e ação pode ser manifestado por puro prazer e deleite de ser sua criação, sua expressão humana.

Verdade seja dita, o drama da necessidade de aprovação acaba com a beleza do erro. Navegar é preciso, vem com bússola, velas, cordas, âncoras. Viver não é preciso, vem com ansiedade, paixão, tremedeira, taquicardia. É bonito, isso! Estar frente a frente com sua criação, seja ela uma dissertação de doutorado ou o primeiro desenho, é uma manifestação da sua alma. Pode e deve ser reconhecida única e exclusivamente por você.  “O erro é meu” é uma afirmação  altamente libertadora!

Licença poética para um PS no meio do texto: Atenção especial, ativistas, trabalhadores da luz, ambientalistas, humanitários e demais heróis: quando tentamos salvar o mundo há um alto risco de esperarmos por aplausos. Afinal, estamos  “gerando impacto”, “fazendo a diferença”, né? Cuidadinho. Tenho dúvidas de que o mundo precise ser salvo. E pelos seres humanos.

Sejamos didáticos sobre o que significa, neste treinamento de Guerreiros,  “direito de expressão”: se você está colocando no mundo seu dom ou serviço, na forma de uma atividade intelectual, artística ou física, é seu direito. Está pintando um quadro para expressar uma dor, cantando uma canção para expressar saudade, fazendo um comício para expressar cidadania, plantando árvores para expressar consciência ambiental, cuidando de crianças para expressar solidariedade, apresentando uma planilha pra expressar raciocínio , cozinhando uma refeição para expressar amor. E ponto. Expresse o que tem de expressar, e os demais poderão , por sua vez, se quiserem e puderem, expressar apreciação, aplaudindo, ou não.

Necessário deter-nos no “se quiserem e puderem”. Tem gente que não quer expressar apreciação. Muito válido,  a pessoa expressa que não gostou deixando de aplaudir. E tem gente que não pode. Simplesmente não consegue. Se alguém não aplaudiu suas ações, considere que a criatura pode não saber como fazer isso. Não é, necessariamente, porque ela não gostou do que você fez, mas pode ser porque ela tem uma dificuldade bem comum, nestes dias: incapacidade de reciprocidade. Veja, aplaudir tem a ver com receber o dom que você ofertou, deixar-se inundar pelos sentidos, permitir-se entrar em contato com esse prazer e manifestá-lo de volta. Parece complexo, e de fato é, para muitas pessoas. Aplaudir também tem a ver com dar e receber afeto, apreciar o outro só é possível com uma apreciação de si mesmo. Então por aí você pode ver que se a pessoa não te aplaude ela tem lá suas dificuldades, talvez o problema esteja nela, e não em você.

Mas o slogan não diz “Não receba os aplausos quando eles vierem”. Então, muita atenção nessa hora. A gente não é tão importante assim (falaremos disso no próximo slogan); quando as pessoas te elogiarem, entenda que elas estão falando de si. Estão dizendo “eu me sinto bem, eu gosto, estou sentindo prazer e alegria”. Permita-se testemunhar essa energia amorosa, nutritiva. Mas não engaje nem dependa dela. “Ah, como sou o máximo por fazer as pessoas se sentirem bem”. Não é por aí. Igualmente, se as pessoas te criticarem, também estão falando de si. Estão dizendo “eu me sinto mal, agora, estou sentindo medo e raiva (ou inveja ou tristeza, whatever) ”. Permita-se observar como os outros te percebem, e que existe energia negativa ao seu redor. Mas não engaje nem dependa dela.

Em ambos os casos, são apenas percepções, não são quem você é.

Meu mestre do TAO diz que devemos buscar a neutralidade. Ser como o arroz (não esse da TV, que fica soltinho e temperado com Sazon, mas o oriental, aquele que fica grudadinho e sem sal). Observar as reações dos demais sem construirmos um drama ao redor delas. Ser como o arroz, neutro, para realçar os outros alimentos. Ser o acompanhamento leve e nutritivo que é naturalmente necessário pois, com sua neutralidade, traz equilíbrio aos demais elementos da refeição.

Na natureza , como sempre, encontramos o professor perfeito: o sol ilumina sem fazer alarde, é a própria fonte da vida, e se o aplaudimos, à beira de uma bela lagoa, é por nossa necessidade, verdade? Mas não se passa um dia sem que o sol se ponha lindamente, alheio à nossa apreciação.

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Desejo a todos uma semana ensolarada! 😉

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