Este ficará marcado como o ano em que mais recebi, na minha vida.

Não foi o ano daquele super salário, negociado com os caras do jurídico, mediado pelo head hunter, coroado com o bônus por ter superado as metas.

Não foi o ano da compra do sonho de consumo, da viagem paradisíaca, da bolsa de grife.

Não foi o ano em que ganhei elogios do presidente, em que meu nome saiu nas manchetes de sucesso, em que emails lotaram minha caixa postal enaltecendo minha eloquência e brilhantismo pelo planejamento estratégico.

Não fui escolhida paraninfa, não ganhei aplausos da platéia, não tive milhares de visualizações no facebook.

2016 foi o ano em que mais recebi Amor. Um ano sobre dar e receber.

Ofereci um sonho, e minha vulnerabilidade.

Ao iniciar e sustentar o processo de financiamento coletivo para ir ao curso Guerreiros pelo Espírito Humano, descobri a força do não-saber. A começar pela curiosidade acerca do objetivo proposto:

“Um guerreiro é simplesmente um ser humano decente que aspira estar a serviço em uma época desumana e indecente. Queremos estar de serviço sem aumentar a confusão, agressão e medo agora tão prevalentes, por isso, é necessário treinar-nos bem, como uma comunidade forte, solidária. Através da disciplina e dedicação, nós desenvolvemos a nossa confiança, meios hábeis e compaixão. Nós aprendemos a ver claramente sobre a natureza da realidade, e praticar com perseverança entusiasmada para cultivar a nossa própria vigília. Os guerreiros não deixam a cena. Nosso compromisso é manter-nos engajados com quem está no poder, para trabalhar dentro de nossas comunidades e em nossas famílias. Estamos empenhados em agir de forma a tornar possível para as pessoas a experimentação do seu potencial humano. Aspiramos a ser uma presença compassiva, nas circunstâncias mais difíceis.

No entanto, percebemos também que não importa  quanto  domínio alcancemos em nossas vidas profissionais e pessoais, precisamos de diferentes habilidades e perspectivas para enfrentar os desafios crescentes que enfrentamos. É por isso que nós nos dedicamos a Formação. Como guerreiros, nós alegremente oferecemos a nossa compaixão e sanidade pois:

  • Temos confiança inabalável de que as pessoas podem ser mais gentis, mais suaves e mais sábias do que a nossa sociedade atual nos diz que somos. Nós confiamos na bondade humana e oferecemos essa fé como um presente para os outros.
  • Nós oferecemos a nós mesmos não como ativistas de mudar o mundo, mas presenças como compassivos e companheiros de confiança para aqueles que sofrem neste mundo. Nós encarnamos compaixão sem ambição.
  • A nossa confiança, dignidade e vigília irradiam-se para os outros como um farol de que todos os seres humanos são.
  • A nossa confiança não está condicionada pelo sucesso ou fracasso, por louvor ou culpa. Ela surge naturalmente a partir do quanto vemos claramente sobre a natureza das coisas.
  • Criamos uma atmosfera de compaixão, confiança e alegria com a nossa presença.
  • Criamos uma boa sociedade humana onde quer que estejamos, sempre que possível, com as pessoas e os recursos que estão disponíveis para nós agora.
  • Contamos com a alegria surgindo em qualquer lugar, sabendo que nunca é dependente de circunstâncias externas, mas vem de trabalhar juntos como bons seres humanos.
  • Nós abordamos os desafios da vida com um sentido de humor, sabendo que a leveza e o lúdico aumentam a nossa capacidade de lidar com o sofrimento.

Eu não conseguia  explicar racionalmente minha conexão com estes objetivos, eu não conhecia nada de crowdfunding, eu nunca havia ido à Inglaterra. Eu não possuía fundos de reserva, não dominava o inglês com proficiência, não tinha um produto pra oferecer em troca. Eu não sabia o tamanho da minha rede,  eu não tinha uma equipe de captação de recursos,  a cotação do dólar, da libra esterlina a imprecisão dos preços das passagens e a perspectiva do impeachment não deixavam claro nem quanto dinheiro eu precisaria levantar.

Mas eu tinha um propósito claro, e integridade suficiente para não vendê-lo.

Eu concordava com uma promessa que vim a fazer no decorrer do curso, e que se materializou na experiência que tive com dezenas de pessoas cujos corações escutaram o meu: confiar! Confiar que eu não podia mudar o contexto de agressão e cinismo. Confiar que a única pessoa que eu podia responsabilizar para justificar minha visão de mundo era eu mesma. E que se eu queria compartilhar esta visão com os outros, nunca recorreria ao medo ou à violência para convencê-los a nada.

Quando contei sobre a possibilidade do curso para meus amigos, muitas mãos e mentes férteis se apresentaram, oferecendo tempo, inteligência, energia e coragem para começar. Eu ganhei um vídeo, um site, e o maravilhoso insight de criar um sistema de recompensas retro-alimentativo, no qual alguém oferta um dom ou serviço, outro alguém oferece recurso financeiro para desfrutar deste dom, e quem ofereceu decide quanto quer dividir comigo. Eu direciono o recurso financeiro para viabilizar minha ida ao curso, quem ofereceu ganha amigos, clientes e inputs pra maximizar seus dons e serviços, e quem contribuiu ganha o benefício e a certeza de estar participando de um círculo virtuoso de abundância. Colocar esta idéia no mundo foi um ato de fé, mas fé compartilhada, e isso fez toda a diferença. Nós sabíamos que os recursos existem, que há suficiente inteligência e senso crítico para que as pessoas tomassem, por si próprias, a decisão de fazer parte do que parecia um aventura. Mas do que eu nunca duvidei, mesmo, é de que há generosidade bastante no mundo para que a caminhada não fosse em vão.

Esta certeza foi corroborada por cada história de vida compartilhada: à medida em que se integravam ao sistema de recompensas, as pessoas me contavam porquê haviam se conectado com o curso, de onde vinha seu impulso de contribuição, como , com quanto e porquê estavam dispostas a fazer parte daquele sistema. E com este movimento, uma jornada que era minha passou a ser de muitos. Por isso teve poder.

Não é que eu não tenha recebido críticas, suspeitas, julgamentos. Não é que não  tenha havido imprevistos, contratempos, dificuldades. Mas  em cada percalço eu também recebi apoio para seguir com firmeza de intenção, honestidade, mente aberta e desapego. Recebi companhia para respirar.

Descobri que não é o tamanho da rede, é a qualidade das conexões que dá o ponto de sustentação para que uma convicção individual alcance a necessidade coletiva. Quem contribuiu para o projeto não tinha, via de regra, desejo de ir ao Curso, ou à Schumacher College e, vim a confirmar, não necessariamente esperavam pela minha retribuição, fosse ela conceitual ou comportamental. As pessoas queriam, de verdade, era fazer parte de algo que evocasse nelas sua humanidade, suas capacidades de colaborar, de confiar, de superar suas próprias incertezas sobre dar e receber, de  fazer parte de algo belo.

Eu quero muito dar visibilidade para tudo que é possível aprender numa jornada como esta, e corri deliberadamente o risco de servir de espelho para que os outros pudessem projetar suas crenças, mas estou ciente da minha trajetória profissional forjada nos templos acadêmicos do hedonismo e na meca corporativa que cultua a auto-promoção. Tomo muito cuidado para transmutar este padrão e, tanto quanto minha consciência permitiu, nunca convidei ninguém pra me ouvir falar sobre mim. Quem procurou por mim pensando em me conhecer encontrou apenas a si mesmo. Este encontro, de cada um consigo, nos permite avançar juntos, porém livres, co-responsáveis por nossas escolhas; se alguém se decepcionou em algum momento foi por ter alimentado suas próprias ilusões, da mesma forma que se alguém superou limites, foi por mérito de seu próprio coração.

Neste processo, eu me recusei, sistematicamente , a manipular as percepções. Eu me recusei a vender minha idéia, meu currículo, minha imagem. Eu me recusei a vender, ponto. Porque ninguém precisa comprar oportunidade de manifestar compaixão. Essa força que nos impulsiona para fora de nosso próprio umbigo tem valor intrínseco, inalienável. Ela está apenas à espera de um convite sincero para se manifestar e, quando isso acontece, ela sorve com alegria a possibilidade de ganhar vida. Se você pensa em pedir ajuda para iniciar ou concretizar uma realidade que será útil para o coletivo, saiba que não é necessário acrescentar medo, culpa, escassez ao seu chamado. Toda alma quer transcender o ego.  Não precisamos de diferenciais competitivos, precisamos de semelhanças colaborativas.

eu-e-anita

O caminhar foi passo a passo, literalmente, um após o outro. Acompanhar as contribuições de hora em hora e ver as ofertas de recompensas surgindo na plataforma de crowdfunding foi como testemunhar o nascimento de nuvens, sopros sutis, sinais da existência de gente distante, que revelavam quão longe pode reverberar a vulnerabilidade. Em certo ponto, eu estava tão maravilhada com a quantidade e qualidade das contribuições que já me considerava nutrida de tudo o que eu precisaria saber sobre o Espírito Humano; cheguei a desapegar do curso, caso não conseguisse dinheiro suficiente. Mas a energia coletiva foi acessada, de fato, e se converteu em bençãos inegáveis: encontrei as pessoas certas, hospedei meu projeto numa plataforma incrível (a Eco do Bem é demais!), consegui passagens aéreas em promoção, os organizadores do curso flexibilizaram as taxas de matrícula (até o dólar caiu, o que me permitiu comprar roupas adequadas para o inverno europeu), e sobrou um pouquinho, que ainda estou guardando para a última fase, quando pretendo finalizar o curso e estar na última aula presencial, em Junho de 2017.

Passei a reconhecer, nomear e celebrar todas estas sincronicidades. Quanto mais eu colocava atenção no que eu já tinha, e não no que faltava, mais forte vibrava o sentimento de gratidão. e acredito que a partir  dele  emanava ao meu redor a tal luz pela qual as pessoas, não raro, me diziam se sentir atraídas, e que eu sabia ser apenas o seu reflexo.

Pra quem gosta de fluxogramas, eu arriscaria uma equação:

CURIOSIDADE – JULGAMENTO = OBSERVAÇÃO DIRETA DA REALIDADE = O QUE O MUNDO PRECISA?

COMO POSSO CONTRIBUIR PARA O QUE O MUNDO PRECISA = PROPÓSITO

CLAREZA DE PROPÓSITO = INTENÇÃO FIRME

INTENÇÃO FIRME + AÇÃO + CONFIANÇA + DESAPEGO = SINCRONICIDADES

SINCRONICIDADES + GRATIDÃO = FLUXO DA VIDA, ABUNDÂNCIA E AMOR

Estes foram os resultados visíveis. Os invisíveis, eu não tenho como descrever. A sabedoria resultante deste processo ainda está em andamento, e passa pelo conteúdo  do curso em Si: Guerreiros pelo Espírito Humano são todos esses que estiveram, estão e estarão atentos e dispostos para se colocar a serviço do que o mundo precisa.  Não são os gurus da moda, nem os self made men.  Sâo os mestres de si mesmos,  e os all together beings.

Mas eu posso falar do afeto. Todas as presenças, seja por email ou nas rodas de conversa que anfitriei para compartilhar os conteúdos das aulas foram coroadas por um imenso carinho! Alegria verdadeira de estar e aprender, juntos. Em um tempo vertiginoso, em que lutamos para manter a cabeça acima das correntes de terror e desconfiança, em que todo mundo está cada vez mais conectado a aparelhos celulares e distante uns dos outros, eu ganhei, muito mais do que contribuição financeira, contato. Puro, desinteressado, legítimo contato. Quer bem maior?

2016, foi, portanto, o ano em que dei  minha cara a beijos. E pra quem me pergunta o que farei em 2017: darei a outra face!

Um grande abraço em cada um de vocês , e nos vemos ano que vem!

 

 

 

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